terça-feira, 3 de julho de 2012

Good Luck





    Meu egoísmo está no seu sorriso. Ele me deixa confortável o bastante pra não ser você. O vento levou, eram só palavras, e você que insistiu tanto para que fossem mais que isso, não foi o que aconteceu, não rolou. Ondas foram formadas, abraços foram dados, a fumaça tomou a forma do seu corpo, e dele enchi os pulmões.
   Em meio a barulhos, a perguntas repetidas por pessoas desconhecidas, me encanto, me espanto, me perco, me perco. No olhar presente querendo a boca, a boca ausente querendo os olhos, duas mentes querendo que todo mar de gente exploda para que em fim haja clima suficiente para que se desamarrem das coisas, das pessoas, dos dias, dos intervalos juntos as despedidas, das despedidas juntos as Boas Sortes.
    Em meio a duvidas me afasto, procurando suas respostas me envio de volta em alguns caracteres, mais duvidas se formam.
    Minha mente se mata procurando você de volta, alguma pista, alguma linha, algum trago perdido em algum toco. Hoje você é meu vicio, minha amiga e minha perdição. Ando mais completo. Pelo menos alguns dias da semana.  

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Meias Palavras




     E assim minha carência vai sendo desmaterializada em palavras. Um aperto mais forte na mão. Uma arrumada no cabelo, à nuca levemente tocada, juntamente com digitais deixadas nas costas. Uma mão na coxa para que se preste atenção no que é dito. O olhar na boca. A boca nos olhos. Contatos espreguiçantes de pés. E o abraço meio largado no caminho até a cama. Todos os movimentos friamente observados, analisados e amados. Lá se vão valiosos segundos que valeram por horas.

Sweet Smoke



     Peguei o que estava sentindo, acendi, puxei e traguei. Acho que foi o único trago que me fez bem. Não posso negar que me engasguei, não por ter coisa misturada, é até bem natural, mas por ser forte; e também pela minha incontrolável sede de sentir o Maximo possível, por medo de acabar. É. Talvez você seja meu único vicio que faz bem, por favor, não deixe esse cachimbo apagar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Charles Chaplin


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

sábado, 15 de outubro de 2011

A tempestade está a caminho.


   Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo. Às vezes você esconde uma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda está lá. E às vezes tudo que você quer é esquecer quem você realmente é por inteiro. E quanto a mim? Talvez eu nunca torne a pessoa que você realmente queria que eu fosse, mas eu não resistirei em tentar. Agora sou algo inteiramente novo, com minhas próprias regras. Percebi que meus dias estão contados, é melhor eu aproveitá-los.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Ela te faz



  Ela sente as gotas da chuva se misturar com as gotas da alma. O mundo já não existe mais. Ela passou por um século de emoções, tem a experiência de mil anos, a força de Deuses em guerra e a beleza e sensualidade de 70 virgens experientes em fazer acontecer o amor. Ela tem bagagem de mais para de preocupar com qualquer olhar trivial recebido em uma noite de sexta. Toda sua experiência à fez mais mulher.

  Ela ergue a cabeça e passa mais alta que prédios, quando põe no pé um salto e no rosto um olhar firme, nem se pode comentar. Quem realmente a conhece senta e bate palmas. Ao vê-la é impossível não perder ao menos um segundo de ar. Passando tira gritos do fundo das almas mais desatentas. 

  Seu companheiro? Que dó tenho dele. Pobre expectador, como andar ao lado de quem retira suspiros até de outras.

  Mentes pequenas olham e tentam desvendar seus labirintos, mentes grandes pensam compreende-la por total, mas coitados, mal sabem eles que agora perto dela, já não são.

  Sua voz ecoa como o mar de ondas tormentosas nos devaneios de quem ouve, voz que surge, voz que destrói. É bom ter cuidado ao ouvi-la. D’ela não sairiam meias palavras ou meias preocupações com o que se é dito. Sua boca desenhada à tinta óleo, pode ser a glória e a perdição.

  Seu companheiro? Ah, que sorte a dele.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Me absorva



   Enquanto os Sóis do Oeste não se põe, sofro em silencio. Enquanto o México não sobe a cabeça, me guardo. Quando o grande dia chegar, esteja lá pra me ver. De olhos vermelhos, saltarei para outro céu, desamarrarei nós e desprenderei os cravos de um peito que está denso.

  Manterei o que por mim foi assinado. Jurei com sangue frio que não seria primeiro. Serei segundo quando segundos desejos me trouxerem pra dentro do corpo. Não desviarei meus olhos para coisa alguma. Não desviarei meus objetivos para coisa alguma. Não faltarei com minhas juras por dor alguma. Não. Não. Não...
   
  Sou eu aqui, nada mais. Sou nada aqui. Aqui eu sou. Sou mais eu aqui. Não quero ser só. Não quero que minhas jornadas sempre terminem comigo. Eu no fim. Só eu no fim, nada mais.