quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Hey Holly, cadê você?


      Há alguns carnavais não me sinto tão “Ela”, nem me sinto tão “eu”. Não sei o que isso tem feito de mim, às vezes sinto os ventos cortarem minha face e me sinto bem. E quem dera?! Ventos cortantes me acalmando, brisas gélidas me fazendo tão mal, a confusão se materializa, a decepção dói, tudo grita pra pedir silencio.
      Há dois opostos que me perco/encontro. Há dois de mim por ai, enquanto aqui não há ninguém, nada me resta, nem mesmo a mim. A falta de ser volta a incomodar. Esperava que não passasse de uma noite, mas é a noite que não passa, está escuro, corro calmo, está escuro, grito baixo, está escuro, me recolho para não perder mais um grama de alma para você que está ai onde seu grito ecoa e onde não posso localizar seu hálito, nem sei mais se cheira a fumaça que tanto anseie por não sentir mais.
      Mas quem foi que disse que pra viver, precisamos nos achar, que se ferre tudo e essas duas partes que estão por ai. Não preciso delas, já me acomodei com o “não ser” de Shakespeare. Se nada me resta, não tenho o que perder. Que realmente se ferre, não preciso, não quero mais que voltem, se amem e sumam, por que dentro de mim, já sumi. São só mais duas partes de varias que já se foram.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Mombojó



Quero um samba pra me aquecer, quero algo pra beber, quero você... Peça tudo que quiser. Quantos sambas aguentar dançar, mas não se esqueça do trato da hora de parar, só vamos embora quando tudo terminar. Eu vou te levar onde quer chegar, eu tenho a chave! Nada impede a vida acontecer. Deixe-se acreditar, nada vai te acontecer, tudo pode ser, nada vai acontecer, não tema... Esse é o Reino da Alegria...

terça-feira, 3 de julho de 2012

Good Luck





    Meu egoísmo está no seu sorriso. Ele me deixa confortável o bastante pra não ser você. O vento levou, eram só palavras, e você que insistiu tanto para que fossem mais que isso, não foi o que aconteceu, não rolou. Ondas foram formadas, abraços foram dados, a fumaça tomou a forma do seu corpo, e dele enchi os pulmões.
   Em meio a barulhos, a perguntas repetidas por pessoas desconhecidas, me encanto, me espanto, me perco, me perco. No olhar presente querendo a boca, a boca ausente querendo os olhos, duas mentes querendo que todo mar de gente exploda para que em fim haja clima suficiente para que se desamarrem das coisas, das pessoas, dos dias, dos intervalos juntos as despedidas, das despedidas juntos as Boas Sortes.
    Em meio a duvidas me afasto, procurando suas respostas me envio de volta em alguns caracteres, mais duvidas se formam.
    Minha mente se mata procurando você de volta, alguma pista, alguma linha, algum trago perdido em algum toco. Hoje você é meu vicio, minha amiga e minha perdição. Ando mais completo. Pelo menos alguns dias da semana.  

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Meias Palavras




     E assim minha carência vai sendo desmaterializada em palavras. Um aperto mais forte na mão. Uma arrumada no cabelo, à nuca levemente tocada, juntamente com digitais deixadas nas costas. Uma mão na coxa para que se preste atenção no que é dito. O olhar na boca. A boca nos olhos. Contatos espreguiçantes de pés. E o abraço meio largado no caminho até a cama. Todos os movimentos friamente observados, analisados e amados. Lá se vão valiosos segundos que valeram por horas.

Sweet Smoke



     Peguei o que estava sentindo, acendi, puxei e traguei. Acho que foi o único trago que me fez bem. Não posso negar que me engasguei, não por ter coisa misturada, é até bem natural, mas por ser forte; e também pela minha incontrolável sede de sentir o Maximo possível, por medo de acabar. É. Talvez você seja meu único vicio que faz bem, por favor, não deixe esse cachimbo apagar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Charles Chaplin


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?

sábado, 15 de outubro de 2011

A tempestade está a caminho.


   Todo mundo esconde quem é pelo menos por um tempo. Às vezes você esconde uma parte de si mesmo tão profundamente que precisa ser lembrado que ela ainda está lá. E às vezes tudo que você quer é esquecer quem você realmente é por inteiro. E quanto a mim? Talvez eu nunca torne a pessoa que você realmente queria que eu fosse, mas eu não resistirei em tentar. Agora sou algo inteiramente novo, com minhas próprias regras. Percebi que meus dias estão contados, é melhor eu aproveitá-los.